segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Geisy, a Geny unibanida

Geisy, a Geny unibanida
Fonte: Querido Leitor
(Rosana Hermann)


É, isso mesmo. Outro post sobre o mesmo assunto. Acha demais? Eu acho necessário. Se existem sintomas é porque existe a doença. E se os sintomas se agravam e outros surgem isso só mostra que a doença social precisa de UTI .Vamos ao post.

Esta é Sabrina Sato, com o Senador Eduardo Suplicy, numa cena do Pânico na TV.





Eu não sei quem assina o anúncio da UNIBAN publicado hoje nos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. No final do texto leio apenas  Universidade Bandeirante. Mas fico pensando que se essas pessoas que compactuam com o texto fossem congressistas, teriam expulsado Suplicy e suspendido Sabrina Sato no dia em que esta foto foi tirada.
Eles certamente devem achar que ela não condiz com a moral exigida para uma dependência da capital federal e a cueca vermelha sobre o terno do Senador não é adequada para o ambiente político. Sabrina é linda, divertida, sincera. E não faz mal a ninguém. Exatamente como Suplicy. E, embora o ‘decoro parlamentar’ tenha entrado em questão quando a cena foi questionada, nenhum dos dois foi atacado, nenhum dos dois foi execrado, nenhum dos dois foi expulso. Era um ambiente acadêmico? Não, era mais do que isso. Era um ambiente que representa nossa nação.


E se os responsáveis pela UNIBAN que assinam o texto pudessem,talvez tivessem igualmente expulsado o então presidente da república Itamar Franco, juntamente com sua acompanhante Lilian Ramos no carnaval de 1994, quando ela apareceu sem calcinha num camarote de carnaval. Se você não acredita, veja no Google Images, as fotos sem o ‘x’.



Era um ambiente acadêmico? Não, era um camarote de carnaval. Mas era o Presidente da República. E a moça estava sem calcinha, de minivestido. Ou uma camiseta. A mídia comentou? Ela ficou famosa? Sim para ambos. Mas ninguém a atacou, ela não foi humilhada publicamente e nem foi expulsa do local. Ela quis aparecer? Provavelmente. Por que, agora, isso é crime?

Esta é Carla Bruni, primeira dama da França. Ela é cantora,  linda. E há fotos dela em todo o mundo, nua inclusive. Tanto faz se foram ou não foram tiradas antes de sua nova posição como mulher do Sarcozy.




Se as pessoas que assinam o comunicado da  UNIBAN mandassem na França,  é possível que elas agissem no sentido de  impedir que Sarkozy casasse com ela. Poderiam alegar  que uma mulher que aparece assim, que posa nua, não é condizente com o papel de primeira dama de um país.

Acontece que há algo em comum entre Sabrina, Suplicy, Lilian Ramos, Itamar Franco, Carla Bruna, Sarcozy. Todos eles vivem em países livres. A França, aliás, é berço do lema revolucionário “Liberté, Égalité, Fraternité’


Li hoje o anúncio da UNIBAN no jornal.




Escaneei o texto e marquei os termos que me deixaram muito revoltada e entristecida. Eu já dei palestras na UNIBAN, fui bem acolhida e tive uma boa imagem do campus e dos dirigentes. Por isso estou tão chocada com todos os acontecimentos. Explico:
O texto tem coisas realmente surpreendentes.
As duas primeiras falam da ‘inadequação’ das roupas que Geisy usou. E onde está escrito no estatuto,  que uma jovem não pode ir de microvestido pra faculdade? Para se cometer uma transgressão é preciso que, antes, as regras estejam estabelecidas por escrito em algum lugar. Eu já fui barrada em restaurantes, empresas privadas, porque meu marido estava de camisa sem manga num dia de calor, em Águas de São Pedro. O restaurante do hotel disse que o traje não era permitido. Mas havia uma plaquinha dizendo isso. Nós é que não havíamos lido. E mesmo que fosse proibido por LEI, pela Constituição, é assim que se trata uma transgressão? Com ameaças, vandalismo, expulsão?

O segundo destaque diz que ela, inclusive, ‘chegou a posar para fotos’. Posar para fotos, que eu saiba, definitivamente não é um atentado ao pudor.

O terceiro destaque me fez rir. Ela se negou a ‘complementar a vestimenta’? E qual é o complemento certo para um mini pink? Bota branca?  Juro que pensei uma coisa impublicável quando li isso.

O quarto destaque me assusta. ‘Ela tentou chamar atenção para si’. Ninguém faz isso, evidentemente, só Geisy. Nenhuma outra garota OU garoto quer aparecer ou chamar atenção para si. E, claro, os alunos que a atacaram, o tumulto, foi uma “reação coletiva de defesa escolar”. DEFESA ESCOLAR??? Devo estar enganada, mas tive a sensação de que a Uniban está ao lado dos vândalos, que serão apenas suspensos.

O quinto eu já estava esperando. A explicação de que ela foi expulsa em nome da moralidade. Vou pular esta parte, um post é pouco. Eu precisaria de um livro.

Vamos para as batatinhas do final. Não contente em analisar, condenar e PUNIR o comportamento de Geisy, as pessoas que redigiram, assinaram este anúncio, dizem que também ‘estranham  o COMPORTAMENTO da mídia.’ A mídia? Quem é a mídia? As emissoras de TV, os jornais, os internautas? E se Geisy se ‘comportou mal’ e foi expulsa, o que vão fazer com ‘a mídia’? Vão nos expulsar também? De onde, do planeta?

Sinceramente, eu lamento por tudo isso. Lamento por Geisy, pela sua família, pelos seus pais que se esforçam duramente para pagar a faculdade. Lamento pelas meninas que tentaram ‘complementar sua vestimenta’, talvez por ciúmes, por ira, por inveja. Lamento pelos rapazes que a humilharam, que a ameaçaram e por suas
cabeças minúsculas que não comportam a liberdade alheia. Lamento pelo texto, retrógrado, moralista, irreal. Lamento pelas pessoas que, na tentativa de defesa da garota e de condenação dos rapazes, esbarram no preconceito questionando a hombridade. Lamento pelos alunos e professores da UNIBAN que serão estigmatizados por tudo isso. Lamento, sobretudo, pela falta de humanidade. De compaixão. De compreensão. De visão. De tudo. Tenho muito medo desse falso moralismo, dessa hipocrisia. Hipocrisia. Quem assina este texto não deve ter entendido nada do mundo. Nada. Nem de estatística. Porque em qualquer lugar do mundo, numa amostragem de 60 mil jovens, há uma parcela de drogados precisando de tratamento, de alcoólatras que necessitam de internação, de criminosos que deveriam ser punidos, de pedófilos que precisariam ser afastados e tratados, de psicopatas ainda sem diagnóstico, de pequenos contraventores a serem descobertos, de passadores de drogas que precisam ser defenestrados. Num grupo de 60 mil, há nazistas, homofóbicos, fanáticos, de tudo. Aqui, nos comentários, idem.Vai ter gente dizendo que “o assunto já deu”, vai ter gente defendendo a Uniban, a Geisy, é assim. A amostragem do mundo, a estatística. Infelizmente, como ninguém quer olhar para a massa e seus problemas, ficamos aqui, vendo os dois extremos. O poder estabelecido que defende a moral, na figura da direção da Uniban e, no outro extremo, Geisy, a garota de roupas provocantes que altera seu percurso para ser vista, comete o delito de posar para fotos, recusa-se a complementar suas vestimentas, com o estranho apoio da mídia que defende a liberdade.



Geisy Arruda




Rosana Hermann, Bacharel em Física pela USP, Mestre em Física Nuclear pela USP, Radialista e jornalista, Roteirista e
redatora de TV desde 1983, Apresentadora e repórter de TV, Escritora e blogueira, Mestre de cerimônias e palestrante




Email: rosana@gmail.com
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.Autora do livro "Presas na Teia", Ed. Moderna, série "Rumos na Rede"
.Co-autora do livro online "Para Entender a Internet", oganizado por Juliano Spyer
.Co-autora do livro "Tudo o que a grande mente capta" - Ed. Gente
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.Cronista do livro "Blônicas" - Editora Jaboticaba (2005)
.Cronista do livro "Merreca Christmas" - Ed. Matrix  
.Cronista do livro "Gramática para quem gosta de Literatura" - Panda Books
.Cronista do livro "Ser mãe é tudo de bom" - Ed. Matrix





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