quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Deputado Edson Duarte denuncia manobra para aprovar proposta que prejudica o consumidor

O líder do PV na Câmara, deputado Edson Duarte (BA), denunciou nesta quarta-feira, 19, em Plenário, a tentativa de manobra para aprovação de um projeto de lei (PL 4148/08) que retira dos rótulos dos produtos alimentícios a informação sobre a presença de alimentos de origem transgênica (representada no rótulo com um “T” dentro de um triângulo amarelo).


A referida proposta pegou carona no projeto de autoria do deputado (PL 5848/05) e não sofreu qualquer tipo de análise técnica ou recebeu pareceres das comissões de mérito da Casa. O projeto de Edson Duarte estabelece que produtos que contenham organismos geneticamente modificados (OGMs), ou seus derivados, destinados à exportação ou importados, incluam as informações quanto ao percentual de OGM, além da norma já determinada pelo Ministério da Justiça.


“Isso é grave, porque abre precedente para outras manobras da mesma natureza. Nosso projeto previa que também na importação e exportação, deveria estar rotulado se havia ou não transgênico, no entanto, minha proposta foi rejeitada e foi aprovado um projeto que não passou em nenhuma Comissão, que não sofreu nenhuma emenda e que não passou por nenhum debate.” observou o líder do PV.


Isso foi motivo de uma questão de ordem do partido à Mesa Diretora, pois, segundo o artigo 128 do Regimento Interno, nenhuma proposição pode ser submetida a apreciação sem parecer. O deputado disse que vai fazer nova questão de ordem exigindo resposta.


“Esse projeto é um atentado à democracia e a esta Casa. Hoje, todo consumidor brasileiro pode escolher se quer comprar produto transgênico ou não, porque a rotulagem está lá. Essa proposta atinge o cidadão e a cidadã, o consumidor brasileiro, a dona de casa, que querem ter o direito de escolher entre consumir ou não um produto que contenha organismos geneticamente modificados”, alertou Edson Duarte.
(Liderança do Partido Verde / Assessoria de Imprensa)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Marina Silva: Opinião pública e mudança climática
Da Senadora Marina Silva, no jornal A Folha de S.Paulo

NA SEMANA passada, o governo fez dois anúncios extremamente significativos: a menor taxa de desmatamento já registrada na Amazônia e o compromisso de reduzir a tendência de crescimento das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020.
São resultados importantes, conseguidos, ao longo dos anos, com a forte e contínua pressão de diferentes segmentos da sociedade e do Ministério do Meio Ambiente na construção de uma política ambiental. Sem isso, o compromisso do governo com a redução de emissões simplesmente não teria saído.
Saúdo o governo por isso e lembro que esses anúncios precisam fazer parte de uma visão estratégica de país. Aliás, a luta pelo cumprimento de tais metas está só começando.
Por isso é fundamental a institucionalização desses compromissos, para que não se percam no vácuo das declarações conjunturais.
Para o Brasil, seja qual for a opção eleitoral que a população faça no ano que vem, será necessária uma inflexão definitiva para o desenvolvimento sustentável. Há pontos de partida que já estão dados, a exemplo da abordagem que ajudou a criar as condições para que ambos os anúncios pudessem ser feitos. O Plano de Combate ao Desmatamento, que surgiu da síntese das melhores propostas da sociedade, integrando esforços dos órgãos governamentais e da sociedade, contribuiu nesse processo.
Mobilizou de modo extraordinário a opinião pública, por meio da transparência e do livre acesso às informações.
No âmbito internacional, o Brasil sempre procurou reafirmar seus espaços, desde a construção do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, proposta brasileira inserida no Protocolo de Kyoto, até a admissão de metas voluntárias, mensuráveis e verificáveis, apresentada em 2007, na Conferência de Bali.
Temos agora a oportunidade de concretizar aquele compromisso.
Para isso, teremos que estender a política de redução de emissões a outros setores, não só ao desmatamento, mas na agricultura, na energia, nos transportes e na indústria. Defenderei no Senado a ideia de inserir a meta anunciada no projeto de lei que trata da Política Nacional de Mudanças Climáticas. É preciso ratificar seu status de objetivo de longo prazo, a ser sustentado por quaisquer governos.
O Brasil está com tudo a seu favor e pode brilhar em Copenhague. Só não podemos permitir que setores mais atrasados do governo e do agronegócio tenham êxito na desconstrução da legislação que sustenta as medidas que levaram a esses resultados. O Brasil deve assumir a vocação de líder e estar à altura das responsabilidades nacionais e globais que isso implica.

domingo, 15 de novembro de 2009

FRASES DO ALÉM

"Miasmas pútridos emanam no Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia”


Enéas Carneiro

Porra não é palavrão. Você veio de porra! Palavrão é fome, miséria, injustiça…


Dercy Gonçalves

FRASES DO ALÉM

"Miasmas pútridos emanam no Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia”


Enéas Carneiro

Porra não é palavrão. Você veio de porra! Palavrão é fome, miséria, injustiça…


Dercy Gonçalves

FRASES DO ALÉM

"Miasmas pútridos emanam no Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico, porque não chafurda no pântano da ignomínia”


Enéas Carneiro

Porra não é palavrão. Você veio de porra! Palavrão é fome, miséria, injustiça…


Dercy Gonçalves

sábado, 14 de novembro de 2009

ASSIM DESAPARECEU O COCOZÃO

Descobri onde o ex-prefeito de Ponta Grossa, Péricles de Holleben Mello (PT), hoje Deputado Estadual, buscou inspiração para criar o falecido COCOZÃO

Praça em Santo Antônio de Pádua - Rio de Janeiro





COCOZÃO EM PONTA GROSSA-PR
FALTOU A ÁGUA QUE A INCOMPETÊNCIA NÃO CONSEGUIU FAZER CHEGAR ATÉ A PEDRA O QUE DARIA O EFEITO DE UMA ARAUCÁRIA - VIROU COCOZÃO E PREFEITO RESOLVEU DERRUBAR - PERTO DE R$ 300 MIL JOGADOS FORA





Outro exemplo que deu certo (este não
consegui descobrir a cidade, mas parece EUA)





EARTH SONG by MICHAEL JACKSON

O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido, que não foi nem "Billie Jean", nem "Beat it", e sim "Earth Song", de 1996.



A letra fala de desmatamento, sobre pesca, guerra e poluição.




Talvez você nunca terá a oportunidade de assistir na televisão, pois "Earth Song" nunca foi lançada como single nos Estados Unidos, historicamente o maior poluidor do planeta. Por isso a maioria de nós nunca teve acesso ao clipe. Filmado na África, Amazônia, Croácia e New York.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ÁGUA - EXPORTAMOS MAIS QUE ALIMENTOS

Sustentabilidade - Mergulho nos negócios da água


Já pensou na água que exportamos junto com nossos produtos? Veja um mundo completamente novo. A água ainda não está no mesmo patamar de assuntos urgentes como a energia e o clima para a maioria das empresas, mas a questão parece estar fluindo lentamente. E essa conversa inclui dois conceitos que provavelmente entrarão para o vocabulário ecológico.

Um deles, "água virtual", ganhou notoriedade no mês passado quando seu mais importante patrocinador, o professor John Anthony Allan, do King"s College London e School of Oriental and African Studies, recebeu o 2008 Stockholm Water Prize. Allen cunhou o termo em 1993 para se referir à quantidade de água embutida na produção e comércio de alimentos e produtos de consumo. Uma xícara de café, por exemplo, tem 140 litros (cerca de 37 galões) de água virtual, quando se considera a quantidade de água usada para cultivar, produzir, empacotar e enviar os grãos. Um hambúrguer contém 2,400 litros (634 galões) de água virtual. (Prêmio Estocolmo para Água, 2008).


O conceito de água virtual (também conhecido como “água embutida” ou “incorporada”) representa mais do que interesse acadêmico. Enquanto as preocupações com água inundam um crescente número de regiões, a água embutida de produtos comuns oferece um entendimento útil sobre como os recursos de água são impactados pelo comércio no mundo. Por exemplo, explica como e o porquê países como os EUA, Argentina, e Brasil "exportam" bilhões de galões de água todos os anos – na forma de trigo e carne com intensa quantidade de água – enquanto outros como o Japão, Egito e Itália “importam” bilhões.

O conceito também poderia ser útil na política nacional de agricultura, tanto quanto a "energia embutida" tem ajudado políticos a entenderem que o cultivo e o processamento de milho para produzir biocombustíveis pode exigir uma quantidade maior e significativa de energia do que dar lucros (não que esse conhecimento tenha dissuadido políticos de apoiarem biocombustíveis com quantidade intensa de energia, claro). Além disso, ela pode se tornar um fator no preço de muita matéria-prima, caso os impostos sobre carbono ou sistemas de comércio iluminem produtos com quantidade intensa de energia e carbono, tais como o alumínio, vidro e plástico.


Há outras implicações. Os cálculos de água virtual, sem dúvida, levarão empresas, pessoas e outros a calcularem suas pegadas de água (water footprint), a medida completa de água embutida nos produtos que compram e atividades que fazem. E isso pode acelerar o interesse no que Peter Gleick, sócio fundador e presidente do Pacific Institute, chama de "caminho suave", uma abordagem muito mais integrada e sofisticada da água, nas quais diferentes tipos – potável, cinza, marrom etc. – são usados da melhor maneira, ao invés de usar água potável – que é da melhor qualidade, para lavar banheiros, regar o gramado etc.

No ano passado, numa entrevista, Gleick disse que as empresas compreendiam muito pouco sobre a água embutida em seus sistemas. Há muito pouco entendimento ou conexões de valia entre os negócios de água. Cada setor usa a água de um jeito ou de outro, mas para muitos negócios, ela representa um componente surpreendentemente grande na produção, tanto indireta quanto diretamente, na cadeia de fornecimento. Então, por exemplo, o setor de bebidas pode usar de 3 a 4 galões de água para produzir 1 galão de refrigerante, cerveja ou leite, mas, geralmente, é uma quantidade de água mil vezes maior usada na primeira parte do processo, talvez para cultivar o açúcar que vai no refrigerante. Da mesma forma, na indústria têxtil, é necessário água para fabricar o tecido, mas precisa de muito mais água para cultivar a fibra.


Testemunhamos cada vez mais exemplos em que, se as empresas não dão a devida atenção à água que é usada em sua produção, acabam recebendo surpresas desagradáveis. Quando uma comunidade local protesta contra o uso de sua água e acontece uma seca que afeta o fornecimento, ou quando tem um problema de contaminação da água que resulta na cassação da licença de funcionamento, por exemplo.

E Gleick continua: "Acho que o risco para as empresas é maior em alguns aspectos da água do que em relação à energia. A energia tem substituições. Pode-se substituir o petróleo ou eletricidade por
biocombustíveis ou energias renováveis. A água não dá para substituir."



Mudança de estratégia

A Coca-Cola sabe disso. E, por anos, tem entrado em conflito com ativistas, comunidades, entre outros, por causa do uso que faz da água – que, claro, é ingrediente fundamental de todas as suas bebidas. Em anos recentes, uma série de inovações antecipou a necessidade de uma estratégia mais abrangente da água no mundo. No final dos anos 90, começaram a adquirir marcas de água – sendo sua principal marca nos EUA a Dasani. Em 2002, a empresa enfrentou protestos na Índia devido ao alongamento de recursos de água subterrânea. Um ano depois, passou a se referir à qualidade e quantidade de água como um material de risco para seus negócios em seu U.S. Securities and Exchange Commission Form 10-K (Formulário 10-K da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) para investidores.

Em reação, a Coca-Cola "desenvolveu e continua a melhorar um dos mais sofisticados programas de gestão responsável de água no setor privado", de acordo com um novo relatório da Business for Social Responsibility(Download - PDF).. "A partir de março de 2008, nenhuma outra organização se comprometeu publicamente a alcançar a “neutralização da água” por todas as operações que se estendem por mais de 100 bacias subterrâneas no mundo todo."


A neutralização da água é uma idéia atraente na era dos compromissos com a neutralização do carbono e desperdício zero. Mas o recurso é um pouco diferente do carbono e resíduos: há uma quantidade finita de água, o que não acontece com os outros dois, e não há maneiras conhecidas de
substituí-la. Além disso, como a BSR ressalta:

“No que se refere à água, a verdadeira sustentabilidade envolve mais do que a "neutralização" do volume de água usada [pela Coca-Cola]. O motivo é que as flutuações na quantidade e qualidade de água disponível destinada a uma comunidade ou ecossistema têm um importante papel na sustentação da diversidade e no funcionamento adequado dos ecossistemas e bacias dos rios.”


A empresa se comprometeu a "estabelecer metas de uso eficiente de água para suas operações mundiais até 2008, a fim de tornar-se a mais competente entre as empresas do mesmo setor", e prometeu que, até 2010, devolverá toda a água usada nos processos de fabricação ao meio-ambiente, num nível que garanta a vida aquática e a agricultura."

Ação conjunta


O relatório da BSR aponta que, no ano passado, seis organizações – Twente University, WWF, Coca-Cola, World Business Council for Sustainable Development, Water Neutral/Emvelo Group e a UNESCO-IHE – juntaram-se para investigar os benefícios da neutralização da água como um importante marco. Os grupos criaram critérios para legitimar o uso do termo:

1. Definição, medição e divulgação das “pegadas de água”;

2. Realizadas todas as ações que sejam “razoavelmente possíveis” para reduzir as pegadas de água existentes em operações;

3. Harmonização das pegadas de água com resíduo (quantidade remanescente, após uma empresa fazer o possível para reduzir as pegadas), por meio de um “investimento razoável” ao estabelecimento e a projetos que priorizem o uso sustentável e igualitário da água.

4. Isso envolve mais do que alguns assuntos sentimentais – É preciso “começar,” definir investimentos razoavelmente possíveis. Por enquanto, espero, a barreira crescerá.


Isso pode funcionar? Será que a “água neutra" vai se tornar o próximo “Grande Projeto” no campo corporativo da eficiência dos recursos? Será que fará diferença em termos reais? É uma idéia em seu nascedouro, portanto ainda tem de ser vista. Porém, a tendência crescente das crises contínuas da água sugere que mais e mais empresas aprenderão sobre a “água virtual" e a "água neutra".

Nesse momento, acho que apenas algumas empresas – aquelas cujos produtos e reputação estão mais ligadas a recursos preciosos – estarão dispostas a mergulhar de cabeça.

Por Agenda Sustentável





CHURRASCO

Churrasco é o único prato que um homem faz. Quando um homem se propõe a realizar um, a cadeia dos acontecimentos é a seguinte:

1 - A mulher vai ao supermercado comprar o que é necessário.

2 - A mulher prepara a salada, arroz, farofa, vinagrete e a sobremesa.

3 - A mulher tempera a carne, coloca-a numa bandeja com os talheres necessários enquanto que o homem está deitado junto à churrasqueira, bebendo uma cerveja.

4 - O homem coloca a carne no fogo.

5 - A mulher vai para dentro de casa pôr a mesa e verificar o cozimento dos legumes.

6 - A mulher diz ao marido que a carne está queimando.

7 - O homem tira a carne do fogo.

8 - A mulher arranja os pratos e coloca-os na mesa.

9 - Após a refeição, a mulher traz a sobremesa e lava a louça.

10 - O homem pergunta à mulher se ela apreciou não ter que cozinhar e perante o ar aborrecido da mulher, conclui que elas nunca estão satisfeitas.
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CHURRASCO VISTO PELO HOMEM

1 - Nenhum churrasqueiro é tonto o suficiente para pedir à mulher para fazer as compras para um churrasco, pois ela vai trazer cerveja Cintra, um monte de bifes, asas de frango e uma peça de picanha de 4,8 kg que o açougueiro disse ser "ótima", pois não conseguiu empurrar para nenhum homem.

2 - Salada, arroz, farofa, vinagrete e a sobremesa... Ela prepara isto só para as mulheres comerem. O homem come só a carne.

3 - Temperar carne??? Na carne só se joga sal grosso na hora de assar e pronto. Bandeja com talheres? Só se for para as frescas. Homem que é homem, come com as mãos.

4 - Coloca a carne no fogo??? A carne vai para a grelha ou para um espeto que tem que ser virado a toda hora.

5 -Legumes??? Como eu já disse, só as mulheres comem isso.

6 - Carne queimando??? O homem só deixa a carne queimar quando a mulherada reclama: "Não quero comer sangue" ;"Isto está muito cru..."; "Deixa passar um pouquinho mais" (após a décima vez que você oferece o mesmo pedaço que estaria no ponto uma hora antes). Ou seja, elas acabam comendo carne em forma de carvão, tão mole e suculenta quanto o espeto.

7 - Ainda bem que somos nós que tiramos a carne do fogo, pois se fossem elas,comeríamos carvões como os descritos no parágrafo anterior.

8 - Pratos? Só se for para elas mesmas!

9 - Sobremesa? Só se for mais uma Skol. Lavar louça? Só usei meus dedos!!! (limpei nas calças).

10 - Realmente, ninguém nunca vai entender as mulheres... Nem elas nunca vão entender o que é um churrasco !

Mergulho nos negócios da água

Sustentabilidade - Mergulho nos negócios da água


Já pensou na água que exportamos junto com nossos produtos? Veja um mundo completamente novo. A água ainda não está no mesmo patamar de assuntos urgentes como a energia e o clima para a maioria das empresas, mas a questão parece estar fluindo lentamente. E essa conversa inclui dois conceitos que provavelmente entrarão para o vocabulário ecológico.

Um deles, "água virtual", ganhou notoriedade no mês passado quando seu mais importante patrocinador, o professor John Anthony Allan, do King"s College London e School of Oriental and African Studies, recebeu o 2008 Stockholm Water Prize. Allen cunhou o termo em 1993 para se referir à quantidade de água embutida na produção e comércio de alimentos e produtos de consumo. Uma xícara de café, por exemplo, tem 140 litros (cerca de 37 galões) de água virtual, quando se considera a quantidade de água usada para cultivar, produzir, empacotar e enviar os grãos. Um hambúrguer contém 2,400 litros (634 galões) de água virtual. (Prêmio Estocolmo para Água, 2008).

O conceito de água virtual (também conhecido como “água embutida” ou “incorporada”) representa mais do que interesse acadêmico. Enquanto as preocupações com água inundam um crescente número de regiões, a água embutida de produtos comuns oferece um entendimento útil sobre como os recursos de água são impactados pelo comércio no mundo. Por exemplo, explica como e o porquê países como os EUA, Argentina, e Brasil "exportam" bilhões de galões de água todos os anos – na forma de trigo e carne com intensa quantidade de água – enquanto outros como o Japão, Egito e Itália “importam” bilhões.

O conceito também poderia ser útil na política nacional de agricultura, tanto quanto a "energia embutida" tem ajudado políticos a entenderem que o cultivo e o processamento de milho para produzir biocombustíveis pode exigir uma quantidade maior e significativa de energia do que dar lucros (não que esse conhecimento tenha dissuadido políticos de apoiarem biocombustíveis com quantidade intensa de energia, claro). Além disso, ela pode se tornar um fator no preço de muita matéria-prima, caso os impostos sobre carbono ou sistemas de comércio iluminem produtos com quantidade intensa de energia e carbono, tais como o alumínio, vidro e plástico.

Há outras implicações. Os cálculos de água virtual, sem dúvida, levarão empresas, pessoas e outros a calcularem suas pegadas de água (water footprint), a medida completa de água embutida nos produtos que compram e atividades que fazem. E isso pode acelerar o interesse no que Peter Gleick, sócio fundador e presidente do Pacific Institute, chama de "caminho suave", uma abordagem muito mais integrada e sofisticada da água, nas quais diferentes tipos – potável, cinza, marrom etc. – são usados da melhor maneira, ao invés de usar água potável – que é da melhor qualidade, para lavar banheiros, regar o gramado etc.

No ano passado, numa entrevista, Gleick disse que as empresas compreendiam muito pouco sobre a água embutida em seus sistemas.

Há muito pouco entendimento ou conexões de valia entre os negócios de água. Cada setor usa a água de um jeito ou de outro, mas para muitos negócios, ela representa um componente surpreendentemente grande na produção, tanto indireta quanto diretamente, na cadeia de fornecimento. Então, por exemplo, o setor de bebidas pode usar de 3 a 4 galões de água para produzir 1 galão de refrigerante, cerveja ou leite, mas, geralmente, é uma quantidade de água mil vezes maior usada na primeira parte do processo, talvez para cultivar o açúcar que vai no refrigerante. Da mesma forma, na indústria têxtil, é necessário água para fabricar o tecido, mas precisa de muito mais água para cultivar a fibra.

Testemunhamos cada vez mais exemplos em que, se as empresas não dão a devida atenção à água que é usada em sua produção, acabam recebendo surpresas desagradáveis. Quando uma comunidade local protesta contra o uso de sua água e acontece uma seca que afeta o fornecimento, ou quando tem um problema de contaminação da água que resulta na cassação da licença de funcionamento, por exemplo.

E Gleick continua: "Acho que o risco para as empresas é maior em alguns aspectos da água do que em relação à energia. A energia tem substituições. Pode-se substituir o petróleo ou eletricidade por biocombustíveis ou energias renováveis. A água não dá para substituir."

Mudança de estratégia

A Coca-Cola sabe disso. E, por anos, tem entrado em conflito com ativistas, comunidades, entre outros, por causa do uso que faz da água – que, claro, é ingrediente fundamental de todas as suas bebidas. Em anos recentes, uma série de inovações antecipou a necessidade de uma estratégia mais abrangente da água no mundo. No final dos anos 90, começaram a adquirir marcas de água – sendo sua principal marca nos EUA a Dasani. Em 2002, a empresa enfrentou protestos na Índia devido ao alongamento de recursos de água subterrânea. Um ano depois, passou a se referir à qualidade e quantidade de água como um material de risco para seus negócios em seu U.S. Securities and Exchange Commission Form 10-K (Formulário 10-K da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) para investidores.

Em reação, a Coca-Cola "desenvolveu e continua a melhorar um dos mais sofisticados programas de gestão responsável de água no setor privado", de acordo com um novo relatório da Business for Social Responsibility(Download - PDF).. "A partir de março de 2008, nenhuma outra organização se comprometeu publicamente a alcançar a “neutralização da água” por todas as operações que se estendem por mais de 100 bacias subterrâneas no mundo todo."

A neutralização da água é uma idéia atraente na era dos compromissos com a neutralização do carbono e desperdício zero. Mas o recurso é um pouco diferente do carbono e resíduos: há uma quantidade finita de água, o que não acontece com os outros dois, e não há maneiras conhecidas de substituí-la. Além disso, como a BSR ressalta:

“No que se refere à água, a verdadeira sustentabilidade envolve mais do que a "neutralização" do volume de água usada [pela Coca-Cola]. O motivo é que as flutuações na quantidade e qualidade de água disponível destinada a uma comunidade ou ecossistema têm um importante papel na sustentação da diversidade e no funcionamento adequado dos ecossistemas e bacias dos rios.”

A empresa se comprometeu a "estabelecer metas de uso eficiente de água para suas operações mundiais até 2008, a fim de tornar-se a mais competente entre as empresas do mesmo setor", e prometeu que, até 2010, devolverá toda a água usada nos processos de fabricação ao meio-ambiente, num nível que garanta a vida aquática e a agricultura."

Ação conjunta

O relatório da BSR aponta que, no ano passado, seis organizações – Twente University, WWF, Coca-Cola, World Business Council for Sustainable Development, Water Neutral/Emvelo Group e a UNESCO-IHE – juntaram-se para investigar os benefícios da neutralização da água como um importante marco. Os grupos criaram critérios para legitimar o uso do termo:

1. Definição, medição e divulgação das “pegadas de água”;
2. Realizadas todas as ações que sejam “razoavelmente possíveis” para reduzir as pegadas de água existentes em operações;
3. Harmonização das pegadas de água com resíduo (quantidade remanescente, após uma empresa fazer o possível para reduzir as pegadas), por meio de um “investimento razoável” ao estabelecimento e a projetos que priorizem o uso sustentável e igualitário da água.
4. Isso envolve mais do que alguns assuntos sentimentais – É preciso “começar,” definir investimentos razoavelmente possíveis. Por enquanto, espero, a barreira crescerá.

Isso pode funcionar? Será que a “água neutra" vai se tornar o próximo “Grande Projeto” no campo corporativo da eficiência dos recursos? Será que fará diferença em termos reais? É uma idéia em seu nascedouro, portanto ainda tem de ser vista. Porém, a tendência crescente das crises contínuas da água sugere que mais e mais empresas aprenderão sobre a “água virtual" e a "água neutra".

Nesse momento, acho que apenas algumas empresas – aquelas cujos produtos e reputação estão mais ligadas a recursos preciosos – estarão dispostas a mergulhar de cabeça.

Por Agenda Sustentável
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